Minha vida tem tomado novos rumos…
Por incrível que pareça, o motivo que me levou a resolver que eu queria fazer moda quando eu ainda era apenas uma criança, não é mais o principal… Sempre fui indecisa com relação a que área da moda seguir, gosto de todas, me aprofundo em todas.
E eu não vejo nenhum problema nisso. Como já havia dito, acho que todas as áreas estão relacionadas e, mesmo que não estivessem, conhecimento nunca é demais.
Como eu ia dizendo… eu fui fazer moda porque eu sempre gostei da idéia de criar algo. Ainda sou apaixonada por essa idéia. Mas, fora criação e minhas afinidades com imagem pessoal e consultoria (que eu não pratico porque o brasileiro ainda não está preparado para consumir esse tipo de serviço, o que torna o trabalho difícil, principalmente para novos profissionais), eu tenho gostado bastante de trabalhar com as outras funções do desenvolvimento de produtos. Principalmente planejamento e controle de produção e tenho perseguido bastante esse ramo.
Por quê eu não mantenho mais o foco em criação? Porque acho que o ser humano saturou todas as idéias viáveis em termos de modelagem – de roupas, pelo menos. Não me refiro a recortes e detalhes, mas peças mesmo… Acho que a única coisa que falta é que os homens usem saias, e essa idéia já é “empurrada” há um certo tempo. Coisas lindas ainda podem ser trabalhadas, obviamente, mas tudo na base da releitura, uma calça mais ajustada, um bolso diferenciado, mas nada realmente novo. Tirando idéias conceituais demais para serem usadas no dia-a-dia (como os sapatos altos sem saltos). Isso faz com que os profissionais que lidam com criação não sejam suficientemente valorizados… E os próprios se banalizem ao copiar idéias alheias.
Acredito que o futuro esteja nos detalhes…
Tenho loucura por tecidos tecnológicos. Principalmente porque eu sou daquelas que tendem para o lado útil, ao invés do fútil, da moda. Claro que eu adoro alguns pequenos caprichos, como toda mulher, mas gosto de coisas que tenham um porquê de ser.
Ainda por cima, com mudanças climáticas constantes… Chove e faz frio quando você sai de casa para trabalhar, mas na hora do almoço está quente como no inferno, e na volta para a casa já está geladinho novamente…
Quem trabalha com materiais diferenciados, tecnológicos, ecológicos e afins, possui o futuro nas mãos!!!
Mas de nada adianta uma boa matéria-prima se ela não é bem utilizada… E, em tempos de “fast-fashion“, que não existem mais “tendências” e que a roupa que você veste hoje só será atrativa, apesar de não ser mais evidência amanhã, se fizer parte do seu estilo, a maioria das marcas têm se preocupado apenas em produzir a tempo, e gerar lucros, o que acaba prejudicando a qualidade, já que a função dessas roupas, de certa forma, é ser descartável – mesmo que o preço da peça não seja compatível com a sua durabilidade e, geralmente, não é.
O problema é que o consumidor não é mais tão desinformado como antes, principalmente com a conscientização ambiental, ‘descartável’ não é exatamente uma qualidade para um produto. Cada vez menos pessoas querem fazer uso de algo que prejudique o meio-ambiente e ainda dure pouco para fazer esse investimento (e eu nem me refiro ao financeiro) valer a pena!
Tirando o lado ecologicamente correto, a qualidade se encontra, principalmente, no desenvolvimento da peça. Não só do material utilizado, mas da modelagem adequada ao corpo, do corte e na costura perfeitos, na padronização de certas etapas, dos detalhes bem acabados, coisas que, na idéia do “descartável”, acabam passando batidas por muitas empresas. E isso, às vezes, é apenas uma falha na comunicação entre esses setores. O que, aliás, prejudica muitas empresas que prestam atenção, mas não passam corretamente essas informações para os setores de marketing e comércio, deixando de agregar valor merecido ao produto…
Como uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é solucionar problemas, estou bastante inclinada à trabalhar com essa parte da produção… Tenho percebido a diferença que faz uma ficha técnica bem elaborada, uma orientação adequada à determinado profissional a respeito de determinada tarefa, todo o valor que esses canais de comunicação sem ruidos agregam ao produto e melhoram a imagem perante o consumidor… Principalmente, se o profissional responsável for versátil o suficiente para lidar com todas as pessoas tão diferentes envolvidas ao longo do processo.
Por isso, repito: o futuro está nos detalhes! E é esse meu foco daqui em diante.